Data: 04/01/2021
O mito do ponto G e da ejaculação feminina (squirting)



O sexo é uma prática fundamental para a reprodução da maioria das espécies. O homem associou ao sexo o prazer, mas pelo visto, esqueceu de associar à mulher esse mesmo direito. Todos temos direito ao prazer, seja ele individual ou conjugal. E qualquer prática que perturbe essa condição deveria ser julgada pela sociedade como um desrespeito a um direito humano.

 

 

O preconceito, muitas vezes, é uma barreira para o exercício de uma sexualidade natural, que é mediada, por efeitos fisiológicos do nosso corpo. De qualquer maneira, o preconceito é um sentimento humano e revela um medo natural que sentimos daquilo que é diferente. Mas também somos detentores de um enorme córtex cerebral, capaz de interpretar nossos medos e aceitar/entender que as diferenças sempre existirão e devemos conviver com elas.

 

Antes de tentar solucionar problemas sexuais, que na maioria das vezes tem origem psicológica, devemos afastar o preconceito de nosso corpo e deixar apenas que os nossos próprios sentidos tomem conta dele. Tanto é que a educação sexual é o primeiro tratamento preconizado pelos profissionais da área.

 O orgasmo feminino já é tratado como um tabu, a ejaculação feminina então nem é descrita nos livros de fisiologia médica. Nas revistas indexadas encontramos diversos trabalhos que tentam explicar a ejaculação feminina de forma científica.

 

Se você não acredita que a ejaculação feminina seja algo possível de acontecer, busque por “Squirt” ou “Squirting” ou “Gushing” na Internet, com certeza irá achar muitos artigos e filmes sobre esse assunto. Notadamente o cinema pornô muitas vezes modifica o fenômeno real, mas o relato das mulheres ejaculadoras no consultório médico acontece com certa frequência.

Devido ao desconhecimento de alguns especialistas, exames e tratamentos desnecessários são realizados acreditando-se que jovens de 20 anos tem incontinência urinária ou hiperatividade do detrusor, sendo que na verdade estão normais. Lidar com os sentimentos psicossexuais de uma jovem que inicia sua vida sexual e de repente “molha” toda a cama realmente não é uma tarefa fácil. Sem contar a gama de pacientes que acabam evitando o orgasmo, inclusive se tornando disfuncionais, devido ao fato de acreditarem estar com algum problema.

 

O líquido encontrado na ejaculação feminina é produzido pelas glândulas parauretrais existentes ao redor da uretra, é constituído por fluídos prostáticos, PSA (hormônio produzido pela próstata masculina) e frutose.

 

As glândulas parauretrais das mulheres são um resquício reprodutivo da próstata masculina; logo, a composição do líquido encontrado é semelhante ao que encontramos no líquido prostático.

 

A quantidade de líquido ejaculado varia de mulher para mulher, os relatos indicam que possa variar de 20 ml à 1500 ml. Algumas técnicas são necessárias para que se possa atingir a ejaculação feminina, o uso de estimuladores clitorianos associados à estimulação do ponto G via vaginal, podem ocasionar esse efeito.

 

O ponto G, na verdade, nada mais é do que a projeção da glândula parauretral na parede vaginal durante o período de excitação. Estudos realizados concluem que 10% das mulheres sejam capazes de ejacular, mas esses dados não são muito confiáveis, já que seriam necessários uma quantidade mínima de estudos com dados compatíveis para afirmar adequadamente a porcentagem de mulheres que podem usufruir dessa experiência.

Recentemente tem se debatido sobre a presença de dois fenômenos distintos: a ejaculação feminina (líquido mais viscoso e em menor quantidade é expelido, semelhante ao conteúdo prostático masculino) e o “squirting” ou “gushing” (líquido expelido em grande quantidade e proveniente da bexiga, portanto semelhante a urina).

 

A ejaculação feminina ainda é tratada de forma indevida pela medicina e a falta de incentivo às pesquisas sobre esse tema são ainda uma barreira entre o conhecimento científico e o bem estar psíquico e fisiológico da mulher. Há grande preocupação em esclarecer os profissionais de saúde que acolhem estas pacientes sobre a existência do fenômeno e da necessidade de orientar adequadamente estas jovens.