Data: 6/6/2015
Virgindade: Mito e Tabu até os dias de hoje





A virgindade é um tabu desde o início dos tempos. Antes de Cristo, épocas medievais e vários outros momentos da história citam esse tema. Em algumas civilizações, como a fenícia, as mulheres tinham que provar sua virgindade para que o filho não fosse considerado fruto de adultério. Era comum o noivo mostrar o lençol abarrotado de sangue para registrar o feito. Muitos mitos e crenças acerca do assunto perduram até hoje. É trivial escutar no consultório médico: “Minha namorada não sangrou, ela é mesmo virgem?


 


Mesmo do ponto de vista científico a definição do termo ainda é um pouco complicada, pois a variedade e a época de vida com que o ser humano inicia sua vida sexual são inúmeras. Perda da virgindade é a iniciação sexual de um indivíduo através do coito pênis-vagina, com rompimento total ou parcial do hímen, uma fina película que fica na entrada da vagina. Parece simples, mas ter somente esse parâmetro como referência permite vieses.


 


Algumas mulheres nascem sem hímen, outras possuem um hímen complacente (bem elástico) o qual muitas vezes só se rompe no parto vaginal ou após diversas relações sexuais. O fato de sangrar ou não também é um mito antigo e sem nexo, pois inúmeras mulheres perdem a “prega” sem sangrar. Se houver apenas coito anal, a mulher, por definição, é virgem; mas convenhamos, considerar-se virgem nessa condição é pura hipocrisia. Há dúvidas se a mulher pode perder a virgindade sozinha, se masturbando, através da introdução de um dedo ou objeto inanimado dentro da vagina. Uma virgem pode ter orgasmo através da masturbação sem perder a virgindade. Lésbicas podem perder a virgindade sem a ajuda de um pênis.


 


A liberalização dos comportamentos sexuais permitida entre outros pela contracepção hormonal e a emancipação social das mulheres alterou profundamente a visão da virgindade nas sociedades contemporâneas. Ao mesmo tempo que a contracepção permitiu separar a sexualidade do ato de procriação, a virgindade perdeu o seu papel de garantia de legítima filiação no casal. Estas mudanças mudaram o papel social da virgindade, que adotou em certos casos um valor negativo e angustiante, como pretenso indicador de incapacidade social ou amorosa.


Com a liberdade sexual da era atual, o termo virgindade torna-se mais complexo, envolvendo não só parâmetros anatômicos, mas de outras etiologias. Perda da virgindade, independente do hímen, é o início da experiência sexual de um indivíduo, compartilhada com um parceiro e com consciência de ambos. Essa definição engloba outras formas de relacionamento que são marginalizadas pelo conceito tradicional, como homossexualismo, coito anal, sexo oral e masturbação com o uso de acessórios, por exemplo.


Mulher com vaginismo ou aversão sexual que decide engravidar via inseminação artificial é virgem? Piorando um pouco as coisas: Daí ela “dá a luz” via parto normal, ainda é virgem? O hímen, nesta situação, fatalmente será rompido. Outro exemplo: Menina de 8 anos de idade sofre uma “queda à cavaleiro” e por acidente rompeu seu hímen. Ela perdeu a virgindade?


Realmente esse tema é muito polêmico e traz muitas discussões. Isso é bem legal. Mas o verdadeiro intuito do texto é insistir que os iniciantes sexuais devam se ater mesmo a ter uma primeira vez bem planejada, com poucos riscos, com a pessoa certa. Deve-se dar pouca importância ao fato de sangrar ou não e ter noção de responsabilidade que rege o ato sexual (gravidez indesejada, DST’S), uma porta para a vida adulta. Virgindade pode sim ser considerada algo supremo, sagrado, mas muito mais importante é ter uma iniciação sexual saudável na hora e momento certos, com o parceiro sonhado e planejado, para que se goze ao máximo esse dom que Deus nos deu: o amor. Esse sim é importante. E não dá para perder.