Data: 1/1/2016
Terapia Sexual: Uma nova visão!


A terapia sexual é uma especialidade relativamente nova na medicina mundial e consiste no tratamento das inadequações sexuais através de psicoterapia e exercícios que estimulam o apetite sexual. Algumas vezes a inadequação encontra etiologia orgânica, mas, na maioria das vezes, é de cunho psicológico e intelecto-social. Inadequado é qualquer indivíduo que não esteja satisfeito com sua vida sexual. Muitas vezes simples dicas de educação sexual já melhoram a autoconfiança e desempenho e “adequam” o paciente. Raras ocasiões utilizam-se medicações ou reposição hormonal como imagina o senso comum.

Exemplos de problemas sexuais são a Transtorno do desejo sexual hipoativo (o paciente não tem vontade de ter relação sexual), o vaginismo (a paciente não autoriza de forma alguma que o parceiro a penetre), a disfunção erétil (o homem não consegue manter seu pênis ereto) e a ejaculação precoce (o homem goza muito rápido).

Para realização, são desejáveis vários profissionais, o que chamamos de equipe multidisciplinar, composta de médicos, psicólogos, fisioterapeutas, educadores sexuais, antropólogos, terapeuta ocupacional, etc. Na minha opinião, qualquer profissional pode realizar um pós-graduação em sexologia. É claro que nem todos poderão atender num consultório, pois os conselhos das diversas áreas não permitem que isso ocorra, mas vejo, num futuro próximo, professores, pedagogos, antropólogos e jornalistas se enriquecendo profissionalmente participando de um curso de pós-graduação como o que é oferecido pelo Centro de Referência da Saúde da Mulher Hospital Pérola Byington em São Paulo, um dos mais renomados do país.  

Interconsultas e acompanhamento paralelo de outras especialidades, conforme a patologia, são indispensáveis. As consultas podem ser individuais, em casal ou em grupos. Há um número mínimo de sessões, em torno de oito a dez. O tempo da consulta pode variar, mas pelo menos trinta minutos/sessão para um bom atendimento. As especialidades que mais se identificam com o tratamento sexual são a ginecologia e obstetrícia, psiquiatria e urologia; entretanto a grande maioria das queixas encerra-se no consultório do ginecologista, pois as mulheres acabam procurando o médico, mesmo sendo o parceiro a fonte do “problema”.

Como qualquer novo tratamento a terapia sexual ainda traz dúvidas quanto a resultados. Através de trabalhos científicos, iniciados principalmente na década de 70 pelo casal Master e Johnsons, Helen S. Kaplan, dentre outros, a especialidade encontra embasamento científico e vai ocupando espaço no cenário mundial graças à prevalência das “inadequações” sexuais na população. Sem contar com a psicanálise experimentada inicialmente por Freud, no início do século, e posteriormente por seus seguidores, a partir da qual uma visão psicológica do paciente passou a ser abordada mais profundamente e o sexo, como uma das estruturas psíquicas, também é introduzido nesse holístico.

No Brasil a sexologia ainda procura um caminho e grande parte da literatura e trabalhos científicos encontram-se em inglês, mas, visto a importância do tema, os estudos vêm se aperfeiçoando e tornando-se mais visíveis pela mídia e autoridades do meio científico brasileiro. Ainda existem poucos cursos para os profissionais interessados e geralmente são pagos ou sem remuneração.

Apesar de estar completando cerca de meio século, a sexologia é ainda pouco conhecida, inclusive no meio científico. Os médicos acabam fornecendo informações errôneas e tratamentos inúteis. Encaminham indevidamente e, muitas vezes, fingem não escutar as queixas que lotam os consultórios. O paciente muitas vezes esconde sua queixa por vergonha e não sabe que profissional deve procurar. A Organização Mundial de Saúde já deu seu aval em relação ao tema e hoje tem o sexo como um dos principais indicadores de saúde, com estudos comprovando benefícios em doenças como hipertensão, diabetes e depressão. Não há mais dúvidas: sexo saudável melhora a auto-estima e pode sim trazer felicidade. Só não vê quem não quer. Ou não gosta.