Data: 1/1/2016
Tendências das Traições Amorosas


trai.ção
sf (lat traditione) 1 Ato ou efeito de trair. 2 Quebra de fidelidade prometida e empenhada; aleivosia, intriga, perfídia. 3 Dir Crime do indivíduo que, num estado de guerra entre potências, atenta intencionalmente contra a segurança externa da nação. 4 Infidelidade no amor. 5 Surpresa inesperada; emboscada.

 

Traição pode ter vários significados a depender do ângulo, do ponto de vista, do país ou da cultura da qual é analisada. No site Wikipédia em português, que consultei hoje, apesar de mal escrito e sem referências, encontrei uma boa definição:  é o rompimento ou violação da presunção do contrato social (verdade ou da confiança) que produz conflitos morais e psicológicos entre os relacionamentos individuais, entre organizações ou entre indivíduos e organizações.  

Ser traído engloba diversas formas e fatos, entre amigos, irmãos, pai e filho etc, onde um dos lados age de forma inesperada, sendo julgado como ato de má fé, o que, normalmente, na sociedade em que se desenrola, pessoas na mesma situação agiriam de acordo com o esperado.

 

Aqui o texto se presta à traição amorosa, infidelidade, adultério, como queiram. De qualquer maneira, não importa em que sentido o “ser traído” é dissertado, pois promove comoção no sentir humano.

 

Procurando no site dos descritores, a palavra-chave é relação extramatrimonial. Quando procuro no PubMed (uma das principais fontes revistas científicas renomadas), na presente data, encontro cerca de 580 trabalhos científicos. Quando relaciono ao sexo feminino, encontro cerca 240 artigos, e aos homens em torno da mesma quantidade. Pode se dizer que, apesar do furor que o tema causa, é pouco visto no âmbito científico.

 

Alfred Kinsey, nascido em 1894 e falecido em 1956, biólogo que se tornou estudioso em sexualidade humana, inicia em 1938 um amplo trabalho onde documenta “quem faz o quê, onde e com quem”, em termos sexuais. Kinsey estimou que cerca de 50% de todos os homens casados tiveram alguma experiência extraconjugal em algum momento durante suas vidas casadas. Nesta amostra, 26% das mulheres tiveram relações sexuais extraconjugais quando passaram por seus quarenta anos. Entre 1 em 6 e 1 em cada 10 mulheres de 26 anos de idade e 50 estavam envolvidos em relações sexuais extraconjugais. No entanto, Kinsey casais que viveram juntos por pelo menos um ano como "casado", inflando as estatísticas para o sexo extra-conjugal classificadas.  

                            

Na edição de 2010 da General Social Survey (GSS), pesquisa de comportamento que é realizada há quatro décadas nos Estados Unidos, 14,7% das mulheres declaram já ter traído o cônjuge. Em 1991, só 11% diziam já ter traído. Logo, houve crescimento de quase 40% na traição feminina declarada. Mas os homens ainda traem mais. Entre eles, o percentual é de 21,6% e quase não mudou desde 1991. Veja em http://www.bloomberg.com/infographics/2013-01-02/more-us-women-report-cheating-on-their-spouse.html , acessado 28/12/2015.

 

Há muito tempo civilizações vêm cultivando um relacionamento machista, onde o homem sustenta os gastos e a mulher cuida dos filhos e do lar. Nesse contexto era comum o homem ter várias parceiras sexuais e a mulher apenas um. Sem contar a contribuição das religiões nesse propósito, nas quais as mulheres sempre tiveram o seu prazer como algo pecaminoso.

 

Em tempos de epidemia de HIV e HPV, o número de mulheres infectadas pelos maridos cresceu. A responsabilidade que rege o ato sexual também pesa mais sobre os ombros femininos, como gravidez indesejada e a maior possibilidade de contrair doenças sexualmente transmissíveis. Com o advento dos anticoncepcionais hormonais, na década de cinquenta, ocorreu uma grande revolução na liberação sexual feminina. Inegavelmente há também uma maior consciência por parte das “gurias” da prática de sexo seguro, as quais mais procuram os médicos e se informam sobre o assunto.

 

Hoje em dia está se tornando um tema mais corriqueiro. Novas formas de traição amorosa vêm em pauta, como pela Internet. Milhões de pessoas se relacionam virtualmente, sem contato íntimo. É mesmo adultério? Não se chega a um consenso, mas há quem não aceite traição nem por pensamento. Definições a parte, nota-se que a sociedade brasileira, e talvez grande parte do mundo, caminhe para uma nova abertura sexual, principalmente no âmbito feminino. Os relacionamentos estão se tornando menos duradouros e mais formais. As mulheres estão entrando no mercado de trabalho de igual para igual com os homens e tomando hábitos masculinos. Sem falar do crescimento do mercado homossexual e sex shops, cada vez mais lucrativos. Será que a evolução da sexualidade será a poligamia? Ou a pansexualidade (sexo com tudo e com todos)? Não sei dizer, apenas imaginar. De qualquer maneira, para ser traído basta um relacionamento, todo mundo está sujeito.

 

American Heritage® Dictionary of the English Language, Fifth Edition. Copyright © 2011 by Houghton Mifflin Harcourt Publishing Company. Published by Houghton Mifflin Harcourt Publishing Company. All rights reserved.

 

http://www.bloomberg.com/infographics/2013-01-02/more-us-women-report-cheating-on-their-spouse.html <acessado em 28/12/2015>

Kinsey AC, Pomeroy WB, Martin CE. Sexual behavior in the human male. Philadelphia: W.B. Saunders; 1948.  834p.

Kinsey AC, Pomeroy WB, Martin CE.  Sexual behavior in the human female. Philadelphia: W.B. Saunders; 1953.  842p.

Michaelis, D. (2011). Disponível em:< http://michaelis. uol. com. br>. Acesso em, 1 (2016).

 

Person ES. The sexual century. New Haven (Conn): Yale University Press; 1999. 387p.

Saadeh, A. Transtorno de identidade sexual: um estudo psicopatológico de transexualismo masculino e feminino. [Tese – Doutorado]. São Paulo: Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo; 2004.