Data: 16/8/2015
Disfunção Erétil e tratamentos atuais.


Nos últimos 30 anos, os avanços na ciência básica têm sido fundamentais para a evolução no tratamento da saúde sexual masculina num modelo multidisciplinar, psicológico e farmacológico, que inclui farmacoterapia oral e injeção intracavernosa, dispositivos de constrição à vácuo e prótese peniana. Este progresso coincidiu com um aumento da compreensão da natureza dos problemas de saúde sexual do sexo masculino, e dados epidemiológicos confirmam que esses problemas são prevalentes e fonte de morbidade considerável, tanto para os indivíduos em si quanto para os casais (McVary, K. T. 2007; McMahon, C. G. 2014).

A introdução de medicamentos orais, como o sildenafil, revolucionou o tratamento da DE, pois são de fácil utilização, não tirando a espontaneidade das relações sexuais, e têm boa eficácia, apesar de apresentarem algumas contraindicações. Para ocorrer ereção é fundamental a liberação de óxido nítrico que vai agir na parede dos vasos responsáveis pelo afluxo de sangue aos corpos cavernosos, estruturas penianas semelhantes a duas esponjas que se enchem de sangue através de uma cascata de reações bioquímicas. O sildenafil exerce sua ação inibindo o GMP cíclico, enzima que inativa uma substância essencial para o relaxamento muscular responsável pela ereção. Esse medicamento não tem a propriedade de provocar ereção na ausência de estimulação sexual e homens portadores de doenças cardiovasculares interessados em usá-lo devem tomar precauções.

Os androgênios têm papel determinante na diferenciação sexual durante a vida embrionária e na gênese dos caracteres sexuais secundários masculinos que ocorrem na puberdade. Na idade adulta agem na manutenção do desejo sexual, no estímulo da produção de esperma e na integridade da massa muscular e óssea. Acredita-se que a testosterona estimule o desejo sexual por elevar os níveis de dopamina. Secundariamente, influenciam a sexualidade por terem efeito anabólico positivo, sensação de bem-estar, aumento do vigor físico e melhora do humor.

A testosterona é o fator biológico responsável pela busca ativa do envolvimento sexual e parece ter relação na gênese das fantasias eróticas. Inibe a serotonina, os opióides, a prolactina e a monoamonoxidase (MAO-enzima que metaboliza a dopamina, juntamente com a COMT - catecol-O-metil transferase -); estimula a dopamina, a adrenalina e a vasopressina. Ela apresenta-se ligada às globulinas ligadoras dos hormônios sexuais (SHBG) e outras proteínas plasmáticas quase na sua totalidade (98%), tendo ação corpórea, na verdade, na sua forma livre (2%). A testosterona livre tem meia-vida de 10 a 20 minutos, sendo inativada no fígado e convertida em androstenediona, a qual possui cerca de 20% do efeito da testosterona.

Apesar dos benefícios da testosterona no corpo humano, sabe-se que um paciente com níveis plasmáticos hormonais dentro da normalidade não tem a indicação precisa de reposição hormonal simplesmente para melhora da função sexual, sendo que há sempre de se notar o aspecto biopsicossocial e cultural do indivíduo em questão. Os benefícios encontrados podem ser julgados como placebo.  Muitas vezes o uso indiscriminado pelo profissional, sem avaliar essas questões, só traz efeitos colaterais, como aumento da oleosidade da pele e acne, alterações do metabolismo hepático, atrofia testicular e ginecomastia.

O profissional também não deve deixar de observar a parte orgânica e possível presença de doenças como hipotireoidismo, doenças auto-imunes, doenças crônicas, diabetes, hipertensão, obesidade, hipercolesterolemia (Síndrome Metabólica), o uso de drogas lícitas (álcool e tabaco), ilícitas (canabis sativa, cocaína, crack) estresse e medicações (cimetidina, cetoconazol, lovastatinas, anticonvulsivantes, anticonvulsivantes) que diminuem os níveis de testosterona e são causadores de disfunção sexual masculina.