Data: 16/8/2015
Liberação Sexual Masculina


A revolução nos modelos de família, a liberdade sexual feminina, a diversidade sexual, entre outros fez com que homens e mulheres tivessem que se reinventar em seus diversos papéis. O homem sempre foi visto como o grande provedor da família, capaz de promover o sustento e o bem-estar de todos, símbolo de potência e força. Com a mulher saindo para trabalhar e trazendo o sustento, começou a acontecer uma inversão de papéis, levando a um conflito entre o homem e sua virilidade.

Apesar da imensa maioria dos pacientes da sexologia serem mulheres, as estatísticas vêm mudando lentamente. Acreditem se quiser! Os homens têm se tornado mais sensíveis e procurado mais ajuda médica! Também pudera, numa sociedade essencialmente machista, homem não chora e é obrigado a resolver tudo na base da truculência. Esse sim é homem de verdade! Devagarinho estamos percebendo que não é bem assim. Vale ressaltar o nível de estresse a que é submetido um ser humano nos dias de hoje. A cobrança sobre os ombros já começa no jardim de infância para o homem. Nada mais normal que os problemas sexológicos viessem definitivamente à tona. Não que não existissem, mas a frequência parece ter aumentado. Outra hipótese seria o maior acesso a serviços de saúde, acrescendo a possibilidade de diagnósticos.

Um importante questionamento relacionado à sexualidade masculina é o temor de desempenho. Uma necessidade de demonstrar sua virilidade e provar ser um “macho” de verdade para impressionar a fêmea. Nesse ínterim, ocorrem muitas fantasias relacionadas às formas de como satisfazer à parceira, mas a falta de comunicação muitas vezes leva à enganos e desencontros na cama.

Com medo do julgamento da família e sociedade os homens ficam se culpando por seus pensamentos, um enorme trauma por se acharem gay por isso. É claro que não tem nada a ver, fantasias e relações sexuais de fato estão bem distantes e pensamentos não definem orientação sexual de ninguém. A mente pode divagar e a pessoa não ter orientação homo, mas o medo de ser gay, ser discriminado é tão grande que acaba provocando alterações no desempenho sexual. Como escutei de um paciente: “Tem de ser muito macho para ser gay”.

É muito natural esse sentimento machista, afinal, os homens crescem “martelando” isso no seu subconsciente. Cada vez mais os homens estão se percebendo mais humanos, passíveis de adoecer, de terem fragilidades e medos, de chorar, de precisar de ajuda, de carinho. Homens precisam de manutenção, não são apenas máquinas programadas.

 Lentamente homens e mulheres, independente de orientação sexual, estão se misturando nas suas condutas frente a sociedade e é muito legal ver um paciente que nos procura desesperado, após muito tempo de sofrimento interno, contente com seus pensamentos e ideias, novo para enfrentar o dia a dia sem encanações, feliz com sua personalidade. “Homem chora sim doutor! Mas de agora em diante espero chorar é de felicidade”! Isso é muito gratificante. 

            O stress da vida moderna, a ansiedade e depressão tem influenciado de forma significativa a resposta sexual masculina. Os tratamentos são muito efetivos mas ainda a principal barreira a ser vencida é a de procurar ajuda, muitos homens sentem-se envergonhados a assumirem suas dificuldades sexuais por conta da cobrança do papel do homem potente e viril. A DE pode gerar um profundo efeito na qualidade de vida do paciente, que perde a autoestima e passa a relatar frustração, ansiedade e nervosismo. É fundamental que diante de uma suspeita de disfunção erétil se consulte um médico e/ou psicólogo, pois somente eles poderão diagnosticar a sua existência ou não, e a condução do tratamento, escolhendo e sugerindo o melhor método ou medicamento para o tratamento de cada caso. Assim, o paciente poderá prolongar e viver plenamente a sua vida sexual.